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André Wulfhorst
André Wulfhorst

Gerente-sênior de compras da Mercedes-Benz do Brasil

"O relacionamento com as pessoas envolvidas é o ponto fundamental para construir uma cadeia de suprimentos estável."

Uma cadeia de suprimentos à prova de falhas

"O relacionamento com as pessoas envolvidas é o ponto fundamental para construir uma cadeia de suprimentos estável, tendo como base processos predefinidos. Não é necessário elaborar contratos de mil páginas. São contratos simples com regras simples, mas que dão um corredor pequeno para o erro", afirma André Wulfhorst, gerente-sênior de compras - peças de caminhões e ônibus - da Mercedes-Benz do Brasil, em palestra no II NEI International Industrial Conference & Show.

Com a responsabilidade de quem comanda uma cadeia de suprimentos complexa, como a compra e o controle de aproximadamente 12.000 peças para um caminhão, André compartilhou algumas estratégias da indústria automobilística para minimizar falhas na cadeia de suprimentos.

Especialmente na cadeia de suprimentos de uma montadora, existe uma Original Equipment Manufacturer - OEM (o fabricante original do equipamento) e seus respectivos Tiers. "O Tier 1 é aquele fornecedor com quem temos contato direto. Do Tier 2 em diante são fornecedores indiretos, ou seja, fornecedores do fornecedor. O grande desafio é harmonizar toda essa cadeia", explica André. Para ele, cada indústria tem sua particularidade, mas, no final das contas, os processos da cadeia de suprimentos são parecidos, e as ideias utilizadas na indústria automobilística podem ser adaptadas a diversos segmentos industriais.

André Wulfhorst enfatiza seis pontos estratégicos para um bom relacionamento entre a OEM e os seus fornecedores:

  • Strategic Supplier: são fornecedores confiáveis e de longa data, principalmente para contribuir em projetos especiais. A Bosch trabalha com a Mercedes-Benz desde a fabricação do primeiro carro, por exemplo.
  • Development Supplier: são aqueles fornecedores que utilizam uma ideia da empresa contratante para desenvolver algo novo. Nesse ponto é importante também conhecer cada vez mais novos fornecedores e buscá-los no mundo todo.
  • Long Term Agreement - LTA: contratos são necessários, mas com o mínimo de páginas e o máximo de clareza. Esse documento norteia o caminho a ser seguido.
  • Direct Source: quando a montadora define, juntamente com o fornecedor direto, as premissas de fornecimento dos outros fornecedores envolvidos na cadeia.
  • Dual Sourcing: dois fornecedores são escolhidos, estrategicamente, para fornecer um mesmo produto. Cada um ganha 50% do pedido (informação que deve ficar bem clara para ambos).
  • Triangulação: são empresas parceiras responsáveis por iniciar a produção, ajustar ou fazer o acabamento de determinado trabalho.

"Para maximizar a produtividade e, principalmente, a qualidade dos processos, toda essa cadeia de fornecimento é calçada com uma série de normas importantes, como TS-16949 (qualidade), ISO 14001 (meio ambiente) e OHSAS 18001 (segurança)", completa André, citando ainda que futuramente será incluída a norma de sustentabilidade.

O controle de qualidade

Um rigoroso controle de qualidade da cadeia de fornecimento acompanha o ciclo de vida do produto desde a aprovação da amostra até o pós-vendas.

O processo começa com a aprovação de amostras. Para André, não é simplesmente aprovar uma peça, mas seu processo produtivo, analisando desde a origem da matéria-prima até a capacidade de fornecimento do produto.

O controle do desempenho é fundamental para garantir o abastecimento da montadora, concessionário e cliente final. "Temos que controlar os pontos principais do processo físico, qualitativo e logístico. É o just in time, just in sequence. No minuto certo, no momento certo", diz.

A terceira etapa engloba medidas corretivas que monitoram a pontualidade de entrega e qualidade dos fornecedores. Na Mercedes-Benz, essas medidas estão separadas em níveis, nos quais os fornecedores devem se enquadrar para fazer parte da cadeia de fornecimento. Para André, o diálogo é fundamental nesse momento.

O acompanhamento

O acompanhamento e suporte da cadeia de fornecedores contribuem para a melhoria contínua dos processos internos. Na Mercedes-Benz, eles estão baseados em quatro regras:

1) Avaliação dos fornecedores. Contatar e visitar para conhecer profundamente a empresa fornecedora.

2) Acompanhamento do desempenho financeiro. Saber a situação financeira do fornecedor contribui para evitar desagradáveis surpresas futuras.

3) Melhoria contínua.

4) Premiação dos melhores. Anualmente, após um processo de avaliação, a Mercedes-Benz elege os melhores fornecedores. "É uma motivação para essa indústria", finaliza André Wulfhorst.

Veja entrevista com o palestrante





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