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Francisco Luiz dos Santos
Francisco Luiz dos Santos

Professor doutor da Universidade Federal Rural de Pernambuco

"Novas dimensões no sensoreamento."

Sensores - a nova geração dos sentidos artificiais

Quase todas as máquinas usadas atualmente no chão de fábrica possuem algum grau de automação e requerem sensores e atuadores clássicos já conhecidos. A grande novidade dos sensores eletrônicos embarcados é a possibilidade de uso em redes de transmissão sem fio. Essas afirmações foram feitas pelo professor doutor Francisco Luiz dos Santos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, durante palestra no II NEI International Industrial Conference & Show.

Um dos temas discutidos nas universidades e nos ambientes de engenharia é a aplicação de sensores já conhecidos em dispositivos móveis, como os tablets. Eles possuem um conjunto de sensores que interagem, integrados por um software que usa todas as potencialidades de rede, transformando o dispositivo num equipamento que é sucesso de vendas.

Os videogames que simulam a prática de esportes e atividades físicas através de movimentos captados por sensores, sem que o usuário use algum equipamento nas mãos, são outro exemplo que mostra o poder dos sensores clássicos configurados para funcionar numa nova aplicação. 'Trabalhar com sensores que já existem é barato. A oportunidade está em criar algo novo com o conjunto de sensores clássicos a partir de uma nova configuração, com eletrônica e programação preparadas especificamente para eles', afirmou o professor.

O aprendizado da natureza tem orientado muitas pesquisas nas universidades para o aprimoramento de sensores. 'Nós observamos a natureza há um bom tempo e demoramos a aprender algumas coisas com ela. A natureza colocou a maior parte dos sensores humanos na cabeça e a dividiu em duas partes. Em um só lado, temos praticamente todos os sensores, mas isso representa metade. Há, portanto, uma limitação da dimensão.' Segundo o professor, a partir do momento em que a natureza duplicou esses sensores de forma simétrica, começamos a ganhar uma dimensão importante da audição, da visão, do olfato e do paladar. 'Esse conhecimento está orientando os estudos de novos sensores. Acrescentar mais um sensor não é apenas multiplicar o que se quer fazer, é ganhar mais uma dimensão', explicou Francisco.

Atualmente, há sensores que nem conhecemos em detalhes, como os que se baseiam no olfato e no paladar humanos. O professor Francisco contou que, em 1993, foi procurado por uma estudante de doutorado em informática, no Recife, que lhe perguntou se era possível desenvolver uma máquina multimídia capaz de detectar cheiro e reproduzi-lo no computador. 'Na época, nós trabalhávamos com polímeros condutores que têm a propriedade de conduzir eletricidade, mesmo sendo plástico. Resolvemos fazer testes com esse material e funcionou. Essa máquina foi chamada de nariz eletrônico. No início do projeto, ninguém acreditava que pudéssemos criar uma máquina que distinguisse cheiro sem intervenção humana', relatou.

Com os anos, novas tecnologias foram incorporadas e, hoje, esse tipo de equipamento é capaz de diferenciar, por exemplo, safras do mesmo tipo de vinho, entre outras aplicações, como odores da urina. Outra novidade que virá a partir dessa experiência é a TV digital com cheiro.

Veja entrevista com o palestrante





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